Pronunciamentos

Veja todos  os dicursos que o  Dr. Edison da Creatinina proferiu no Plenário da Câmara Municipal do Rio  durante o seu mandato ver.

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O primeiro pronunciamento – em fevereiro de 2011

Boa-tarde, nobres Vereadores! Boa-tarde, Vereador Paulo Messina, que substitui o Presidente da Casa.

Como eu disse a vocês na primeira vez que ocupei esse microfone, eu iria tentar, nesses dois anos, explicar para vocês o motivo desse nome que parece bizarro. Realmente, ele parece bizarro, e para alguns ele é realmente bizarro. Aqui mesmo na Câmara já encontrei pessoas que achavam que creatinina era alguma substância que havia na retina. Encontrei outros que achavam que o meu nome era um local: assim como tem o Neguinho da Beija-Flor, o Ronaldo do Coríntians, havia o Dr. Edison da Creatinina.

A razão do meu nome, essa substância chamada creatinina, é uma substância que foi descoberta em 1886 por um alemão de nome Max Jafer. Não se sabia qual era a importância dessa substância, mas, no começo do Séc. XX, descobriram que ela tinha uma relação direta com a função dos rins. Quando os rins param de funcionar, é igual ao coração, o pulmão e o cérebro. Os rins são órgãos vitais, assim como o coração, o pulmão e o cérebro. Se você tirar os dois rins de uma pessoa, em uma semana ela morre. No começo do século passado, começaram a fazer transplantes de animais: pegavam rins de porco e de cabra e colocavam no braço da pessoa cujos rins haviam parado de funcionar. Durante a guerra, foram desenvolvidas a hemodiálise e o rim artificial, que hoje tem o tamanho da minha mão, mas tinha o tamanho de uma cama gigante. Algumas pessoas foram salvas durante a guerra, utilizando-se esse rim artificial.

O transplante renal foi desenvolvido nas décadas de “50” e “60”, e a partir de então foi desenvolvida uma fístula arteriovenosa; alguns de vocês certamente já viram pessoas que têm no braço uns caroços enormes. Aquilo indica que eles têm que se submeter à hemodiálise três vezes por semana, levando duas furadas em mais de 70 clínicas de diálise aqui no Estado do Rio de Janeiro e em mais de 550 clínicas de diálise no Brasil inteiro, sendo mais de 100 mil pessoas. Como eu já disse, eu não tenho dúvidas de que em cada pessoa que chega para hemodiálise, 19 ficaram no caminho. E morreram de problemas cardíacos, de problemas de acidente vascular cerebral, porque não sabiam que tinham problema renal. Nesta Câmara, eu já encontrei pessoas nos corredores que têm parentes que fazem hemodiálise. Acabei de encontrar um colega cuja mãe morreu fazendo hemodiálise. Eu não tenho dúvida alguma que isso poderia ser prevenido se houvesse uma prevenção das doenças renais com a dosagem da creatinina e a realização de apenas um exame de urina.

A minha grande missão aqui inicialmente seria essa. Mas, pouco a pouco, nestes vinte, trinta dias em que estou aqui, vi que a nossa missão é muito maior. Eu tive a felicidade de já ter podido ajudar algumas pessoas que fazem hemodiálise, pois a Transcarioca, que vai passar em cima de uma clínica lá no bairro de Campinho, vai destruir essa clínica. E eles pegaram esses doentes e jogaram para São João de Meriti e para Costa Barros. Nós conseguimos, com a ajuda de outras pessoas – Dr. João Luiz Ferreira da Costa, Dr. Hans Dohmann também entrou no circuito – que esse processo fosse atrasar durante um tempo, que se desse um destino decente a essas pessoas que estavam sendo jogadas em outros municípios do Rio de Janeiro. E elas estão sendo colocadas em alguns centros de diálise aqui do Rio de Janeiro.

Para finalizar, a prevenção é a nossa maior meta. No momento, nós precisamos dar tratamento adequado a essas pessoas e estimular o transplante de órgãos. Infelizmente o Rio de Janeiro tem um dos índices menores de doação de órgãos e o sistema de doação de órgãos nesta cidade, apesar de existir há muito tempo, ainda caduca, ainda está muito ruim. Nós vamos aqui durante todo o nosso mandato brigar por um sistema de saúde adequado, pela doação de órgãos no Estado e pelo tratamento adequado dos pacientes renais de uma maneira geral.

Muito obrigado.
Boa tarde!

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